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domingo, 15 de janeiro de 2012

FELICIDADE

O que é felicidade? Será que podemos descrever o que é felicidade? Será que realmente podemos sentir felicidade?

Tenho certeza que muitas pessoas já discorreram sobre o tema, existindo inúmeras definições e até tratado filosóficos sobre o assunto, mas felicidade é na verdade um simples estado de espírito que transcende nosso entendimento real das coisas, é um sentimento que brota indiferentemente de nossas ações, sejam elas complexas ou simples,  e invade nossa mente nos deixando com "cara de babaca", afrouxando nosso sorriso, fazendo nossos olhos brilharem e nos deixando complacentes com os acontecimento ao nosso redor. A felicidade tem o poder de nos dar uma sensação natural de bem estar absoluto.

Em resumo, sentirmos superior a tudo. É podermos ficar agarradinho com aquelas pessoas que amamos, mesmo estando morrendo de sono. É poder ser elogiado com um simples brigadeiro. É poder olhar para o passado e ver que tudo que já foi vivido valeu a pena, mesmo ainda faltando muito para atingir o objetivo.

E mesmo não conseguindo atingir a felicidade completa, já que pra Freud o principio da realidade nos impede de tal proeza, é sentirmos movidos cada vez mais pela busca da sensação de sermos felizes.

Acredito que na verdade, felicidade é o conjunto de momentos felizes que vivemos e que mesmo não sendo glamorosos, são carregados de sentimentos do BEM e parecem conter um pozinho mágico que nos faz sentir prazer em relembrá-los. Assim, felicidade pode até ter receita, mas é incomparável, é impessoal e intransferível, é simplesmente vivida.

Sendo assim, podemos dizer que a felicidade sem dúvidas está no coração de cada um, seja com um copo d´água, seja em uma viagem, seja com qualquer momento o qual só o nosso coração e nossa mente pode identificar. Pois, Feliz é aquele que sabe que é feliz, e guarda seus momentos felizes para senti-los por toda a vida. (Foto: by Kátia Moreira - 2006)

terça-feira, 9 de março de 2010

101 ANOS DE HISTÓRIA


Acredito que o maior desejo do homem é atingir a eternidade, e viver muitos anos, a exemplo dos profetas do antigo testamento (Abraão, Isaac, Maomé, David) que passaram em muito as centenas de anos.
Entretanto, o ser humano na busca do conhecimento e superação, é muito mais ousado, não quer só viver a eternidade, mas ter consigo a juventude. E nem sabem que as linhas do rosto traçadas pela velhice, são a expressão mais fiel de cada dia vivido. Estas rugas representam a historia de cada um, que foram escritas em suas faces, são portanto a perfeita externalização de todas as conquistas, derrotas, alegrias e tristezas que cada ser humano já viveu.
Imaginem então que glória passar dos 100 anos, imaginem que benção é poder estar lúcido ao passar dos 100 anos e ainda poder contar histórias de quase 100 anos atrás, com a paciência de um contador de historias.
Pois bem, eu tenho o prazer de conviver com alguém que recebeu esta benção de Deus, meu avô materno: João Casimiro, como é conhecido, na cidade que adotou como sua, Serra Talhada.
Seu João é homem forte do sertão paraibano, nasceu na pequena cidade com nome de capital, Montevideu, mas foi no sertão pernambucano que construiu sua família, fez amigos e ficou conhecido.
Homem de feições simples, pessoa de boa índole, trabalhador e calmo, este é o perfil mais fiel de vô João.
Nasceu e sempre viveu na roça, lutando contra os incontáveis períodos de seca que viu sua terra passar. Nunca sentou no chão para brincar com qualquer um de seus netos, mas sabia, de seu jeito agradá-los, seja dando uma voltinha à cavalo, ou uma moedinha para comprarem pipocas.
Me lembro, com muito carinho e saudades de meu avó nos poucos anos que pude conviver quase que diariamente com ele. Não esqueço das “voltinhas” à cavalo que ele fazia questão de dar com todos os seus netos presentes na hora de sua partida para o sítio. Era realmente dedicado, pois andava cerca de 400mts, da frente de sua casa até o pátio da antiga estação de trem, puxando o seu eterno cavalo branco de crina preta, com cada um de seus netos em cima.
Tive o privilegio de viver meus 7 primeiros anos próximo a ele e nunca esquecei as vezes que assisti atenta a ordenha das vacas, e ao final com seu jeito cuidadoso, nos oferecer um copo de leite para crescermos forte, como dizia. E até mesmo das vezes que com grande satisfação nos incentivava a tirar o leite, sozinhos.
Grande foi minha euforia quando pude dar a voltinha à cavalo, sozinha, sem que ele segurasse a corda do cavalo, mas com ele caminhando pacientemente do lado e com sua voz terna me dizendo os comando que deveria tomar para poder dominar o cavalo.
Também, me lembro muito bem dos dias de férias que passávamos no sítio Açude Velho, vendo-o trabalhar no pasto, cortando palma para dar ao rebanho, e zelando dos seus animais com grande dedicação, e ainda, nos levando ao açude para nos ensinar a pescar, pois mesmo sendo menina, ele nunca fez distinção entre eu e os meus primos, apenas nos tratava com o cuidado de um avô e nos ensinava sobre a vida na roça.
Pois bem, tenho certeza que todos nós, seus netos temos muitas lembranças boas de seu João, principalmente de suas histórias intermináveis, onde nos contava de suas andanças de vaqueiro, de seus parentes, e até de sua visão do destemido Rei do Cangaço, quando este passou pelo sítio de seu pai.
Hoje, nós estamos rendendo graças ao nosso Deus, por tantos anos, tantas histórias, tantos ensinamentos e o amor que nos foi transmitido, mesmo sem nunca ser falado literalmente, mas foi sentindo com todos os cuidados.
São 101 anos de história e todas elas estão traçadas em sua face rude, não tendo nenhuma palavra escrita, já que não teve o prazer de conhecer nenhuma letra, mas fez questão que todos os seus 8 filhos estudassem, e hoje, tem netos e bisnetos, bacharéis ou conhecedores da escola vida, tenho certeza que seu João Casimiro está no lucro, como gosta de repetir desde que fez 70 anos, e sente o amor e o orgulho que todos nós temos por ele. (Foto: by Kátia Moreira - 2009)

segunda-feira, 8 de março de 2010

MULHER É SER SUPERIOR


No dia internacional da mulher, nada mais do que fazer uma introspecção no que é ser mulher. Sendo assim eu cheguei a algumas conclusões, então resolvi dividi-las com todos, e assim tentar transmitir como é difícil ser mulher, mesmo que a beleza possa entorpecer a alma dos homens e até mesmo das próprias mulheres.
Pois bem, ser mulher é realmente difícil, não digo isto só pelo preconceito que muitas vezes enfrentamos, mas porque na verdade acredito que nós também o temos. Acho que até mesmo as feministas têm no fundo do coração um pouquinho de machismo, e explico: se não houvesse tal sentimento não haveríamos que falar em desigualdades, pois reinaria a igualdade do homem e mulher, daí não existiriam tais movimentos.
Ser mulher é difícil, pois todos esperam que nós sejamos impecáveis, puras, bondosas e incansáveis, mas isso não é nada fácil, pois, como os homens nós somos feitas de carne, sentimentos e desejos.
Recebemos a carga de ser a cabeça e o coração, de termos que ser doces e austeras, de sermos domáveis e impulsivas, de sermos frágeis e termos garra para superar os obstáculos, ser mulher é ser contraditório.
Ser mulher é chegar à noite, depois de um dia inteiro de trabalho e encarar uma jornada extra de dona de casa, mãe exemplar e esposa, enquanto o marido chega e senta em frente a TV pra assistir o jornal, exige silêncio, e os filhos querem sua atenção, e depois de tudo ainda tem que deixar tudo organizado no único local da casa em que podemos mandar: a cozinha.
É realmente muito difícil ser mulher, pois recebemos a incumbência de sermos MÃE, ação que é pura emoção e transcende o lógico, é mais que instinto é essência de vida, pois é inexplicável gerar, cuidar, ensinar e compreender que não somos dona daquele que concebemos, mas nós insistimos em cuidar na esperança de termos alguém que cuide de nós no futuro.
É viver entre regras que só existem porque somos mulheres, como por exemplo: não poder comer o que gostamos, porque engorda; não poder atirar-se nos braços do amado, porque é impróprio; não poder tomar a iniciativa quando se paquera alguém, porque quem rouba beijo é o homem, e muitas outras proibições ou tabus, que, quando quebrados, é porque não temos juízo ou somos assanhadas demais.
Ser mulher é viver milhões de emoções e transmiti-las só com um olhar, é sofrer e ter que rir para conquistar seu lugar, mesmo sentindo uma dor em seu coração. E, repito, é realmente difícil ser mulher, ser amante, amiga, esposa e companheira numa só conversa.
Como se vê, existem mil e uma justificativas para mostrar o quanto é difícil ser mulher, mas existem outras tantas para demonstrar como é gratificante ser mulher e, consequentemente: mãe, esposa, amiga, amante e companheira.
Enfim, apesar de todas as dificuldades, tudo isto é superado só em sabermos que somos o único ser que temos a inteligência e consciência de que somos a chave de toda a existência humana, pois sem uma MULHER o homem deixará de existir. E é, sem sombra de dúvidas, formidável poder gerar, poder completar o outro, poder romper preconceitos e poder chegar além do que esperam de nós.
E assim, sentir seus pensamentos, superar suas necessidades e ir além da dor, é uma dádiva para uma mulher e me desculpem as feministas, mas é muito bom ser paparicada e colocada num pedestal só porque somos mulheres, e que pensem os homens que somos frágeis, pois assim seremos superiores. (Foto: by Kátia Moreira - 2008)

sábado, 27 de fevereiro de 2010

EDUCAR É MOSTRAR O CAMINHO DA FELICIDADE


Quase sempre, quando se inicia o ano letivo, somos convocados nas escolas de nossos filhos, para ouvirmos palestras sobre educação, seja como anda a educação no nosso país, seja para tentar nos ensinar como educar, dando-nos uma fórmula de como agirmos para o melhor desempenho da escola. Enfim, tudo com o intuito de nos dar uma satisfação e nos provar que nossos filhos estão no melhor colégio, e que apesar de pagarmos para serem ensinados, nós também somos peças fundamentais e temos que dar nossa contribuição.
Pois bem, este ano não foi diferente, na escola que meus filhos estudam. Passamos 90 minutos ouvindo um blá-blá-blá, e saímos certos de que estamos no caminho correto para fortalecer a educação de nossos filhos.
Entretanto, algumas incógnitas surgiram e chamaram a nossa atenção:
- Será que realmente é preciso chegar ao topo da escala do conhecimento pra que nossos filhos, e até mesmo nós, no presente, sejamos bem remunerados?
- Porque um país tão rico como o Brasil, é o 10º no ranking dos paises da América Latina, em desenvolvimento educacional, segundo relatório da UNESCO, e quanto isto pode afetar na educação de meus filhos, já que fazemos parte de uma classe social mais favorecida?
- Será que nossos filhos conseguirão chegar ao topo da escala de conhecimento e isto trará felicidade para eles, ou será a nossa realização?
Posso tentar discorrer sobre cada um dos pontos acima, mas uma coisa é certa: o futuro é o tempo que mais precisa de tempo para se realizar, e estas questões somente podem ser respondidas com o passar deste tempo.
Nossos filhos podem, sim, estar na melhor instituição para os moldes da sociedade na qual estamos inseridos, pois é isto que todo pai busca para seu filho, fazê-lo viver num nível melhor do que foram criados ou no mínimo nos mesmos padrões que nossos pais nos criaram.
Entretanto, apesar de nossos esforços, cabem a eles, com nossa ajuda, é claro, desenvolver o potencial que existe dentro de cada um deles, pois já ouvimos muito o dito popular: "os dedos das mãos são irmãos, mas não são iguais". E não podemos deixá-los caírem nas armadilhas que nossa própria sociedade os colocam.
Sabemos que a cada dia que passa, aumenta o nível de concorrência, isto em qualquer ramo de atividade. E sabemos, também, que a nós cabe incentivar nossos filhos, para lutarem, repito, lutarem e assim conseguirem o que desejarem, pois só o suor glorifica nossas vitórias.
Desta forma, de nada vale querermos viver por nossos filhos, pois aos pais cabe apenas assistir, instruir e incentivar, como um técnico de futebol, por exemplo.
E ainda, devemos ter consciência de que a vitória que nos queremos, nem sempre é a que eles querem ou conseguirão.
Mas, acima de tudo devemos colocar em suas mentes que o elo da educação/vitória/realização, é mesmo a FELICIDADE no que se faz, pois o que se faz com satisfação traz realização, independentemente que seja o trabalho, de um simples agricultor, que enche as bancas das feiras de legumes e por cadeia traz alimento à mesa de muitos brasileiros, ou seja o trabalho de um médico que traz ao mundo, de forma sublime, um novo ser. Todos nós temos um papel e podemos ser felizes, porque a felicidade é feita da satisfação na qual vivemos o momento.
Sendo assim, aconselho, pois é o que estou fazendo, seja o técnico de seus filhos, esteja junto, ajude, cobre, mas deixe-os colherem os louros, orientando-os a seguirem o que trará realização, pessoal e profissional e deixando-os cientes que nem sempre muito dinheiro traz felicidade.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

TER FILHOS


É engraçado quando olhamos para trás e observamos que o tempo passou e nem demos conta de como tudo ocorreu tão rápido. Sei que na verdade, tudo parecia estar em câmera lenta, naquela época, mas e sempre assim, depois que passa a sensação é de que o tempo correu.
No meu caso, particularmente, já contam quase 8 anos que meu primeiro bebê nasceu e as vezes perco a conta do tempo que já passou, apesar ter sido a experiência mais marcante em minha vida.
Ter um filho é um sonho, que a meu ver, já nasceu enraizado na essência feminina, acho que é um desejo intrínseco do próprio gênero, pois são raras as mulheres que não possuem tal desejo de ser mãe. Sem falar do peso cultural que nos é passado durante toda nossa existência: “de que mulher tem que ser mãe para se sentir completa”.
Pois bem, apesar disso, não é tão fácil assim, já que ocorrem inúmeras mudanças, não só física e psicológica, mas principalmente uma mudança radical no comportamento da mulher. Já que um filho traz consigo a dependência de um ser, a responsabilidade dobrada de duas vidas, a nossa e a de nosso filho, levando a mulher a ter uma nova postura, perante os seus e a sociedade, mesmo que isso não seja sua prioridade, tal posição uma hora terá que ser adotada. E tudo isso ocorre dentro de uma turbulenta mudança de vida.
Eu até agora, somente senti a dependência do filho para comigo, mas segundo a experiência das mães mais velhas, com o passar do tempo o papel da dependência se inverte. A mãe é quem passa a sentir a dependência de esta sempre tentando controlar àquela vida que nunca a pertenceu, mas que gerenciava como se fosse sua. A mãe passará a sentir a necessidade de ter ciência de todos os passos que não pode mais dar pelos filhos, e também, a sentir falta do controle que nunca lhe pertenceu, pois seu papel era exclusivamente de ensinar, mas alguém em algum lugar colocou em sua cabeça que ela era a dona daquela vida, fato que somente existiu em sua vontade.
É mesmo muito engraçada a relação mãe-filho, numa hora somos a fonte de tudo, na outra os filhos passam a ser a nossa, mesmo sem querermos que isto aconteça.
Entretanto, apesar da complexidade do relacionamento entre mães e filhos, não há nada melhor do que ser mãe e ver dia-a-dia àquele ser que foi gerado dentro de você, àquele pequeno bebê, crescer e descobrir o mundo, na esperança, mesmo que egocêntrica de mãe, de que um dia ele será nosso porto seguro, quem nos dará colo e mimos em nossa velhice.
Esta é mesmo a essência de tudo, nada mais do que a repetição, no circulo da vida: “A mãe gera uma vida para quando não mais puder ser mãe, possa estar novamente na condição de filho, agora de seu próprio filho”.
(Foto:by Kátia Moreira - 2006)

sábado, 13 de fevereiro de 2010

DESCOBERTA DE DINOSSAUROS


Hoje nós estamos passeando pela Paraíba, um dos nove estados da região nordeste do Brasil. Pois bem, neste carnaval resolvemos não brincar, e para descansar resolvemos fazer uma pequena viagem de “aventura” para envolver as crianças.
Foi então que surgiu o roteiro de Sousa, cidade do semi-árido paraibano e acerca de 2h30min de nossa casa. Sousa é conhecida principalmente pelo vale dos dinossauros. Por sinal, em toda a cidade encontramos pinturas, esculturas, nomes de bares, supermercados, lojas, e outros estabelecimentos, fazendo menção ao grande réptil. (papirossauro, baby sauro, dinossauro, etc).
Pois bem, ao chegarmos a Sousa ficamos logo surpresos com o desenvolvimento do comércio e o cuidado do governo municipal em deixar a cidade mais atraente para os turistas, toda bem sinalizada. Aqui tem um campus de uma Universidade Federal, o que eleva a população consideravelmente, em razão dos cursos oferecidos pela UFCG (Universidade Federal de Campina Grande). Sousa explora o turismo, que a meu ver, ainda está acanhado em relação ao potencial da região. A indústria é diversificada, inclusive tentando ser um pólo calçadista e a agropecuária, onde se destaca por ser uma cidade de grande relevância na produção de coco, na região Nordeste.
Desde que chegamos à cidade, as crianças adoraram o hotel, que é de muito bom gosto e possui um parque aquático (Jardins Plaza Hotel), e principalmente o efeito DINO por todo canto, pois quase tudo, como já disse faz referência aos dinossauros, mas nada supera o prazer de conhecer o parque do vale dos dinossauros, como é chamado o sítio arqueológico.
Diz a história que as pegadas de dinossauros surgiram casualmente pelo sr. Anísio Fausto da Silva, em 1897 que saindo em busca de seu gado que havia fugido passou pelo rochedo descoberto haja vista que o rio estava seco e viu as pegadas, contudo levaram a crer que seriam pegadas de um boi e ema, sendo somente em 1924 quando a por curiosidade do geólogo mineiro LUCIANO JAQUES MORAIS, que na época trabalhava no DNOCS nas obras contra seca, foram as pegadas identificadas e consequentemente reconhecido o maior percurso de pegadas de dinossauro já descoberto, com 53 pegadas.
Tal confirmação resultou em várias pesquisas, inclusive sendo arrancadas duas dessas pegadas, as quais foram levadas para o museu da universidade de Havard, Estados Unidos e outra para um museu na Inglaterra, o que seria hoje considerado como crime ambiental.
Anos depois um padre italiano e também paleontólogo chamado Giussepe Leonardi descobriu mais um caminho de pegadas. Após tal descoberta, o padre Giussepe, editou alguns livros no exterior, o que tornou o vale mundialmente conhecido. Contudo, apesar da fama do vale, e de haverem sido feitas várias reportagens a respeito das trilhas encontradas, tudo parece parado no meio do tempo.
Digo isto porque, apesar de ser um centro de pesquisa e já possuir um museu instituído, mantidos pelo governo estadual, o parque ainda não possui a infra-estrutura que merece, posto que para história mundial, representa um ponto para desvendarmos o nosso passado e com grande potencial de descobertas. Atualmente o parque, principalmente a sede, onde tem o museu, está com aspecto de abandono financeiro, pois não vemos manutenção nas instalações e até os banners contando os fatos e descrevendo as espécies de dinossauros sofreram os efeitos naturais do tempo (mofo, poeira, etc), não tendo sido repostos ou modernizados de forma a perdurarem.
Entretanto, apesar das dificuldades que visualizamos, podemos encontrar a qualquer hora que visitarmos o parque, o Velho do Rio, como é conhecido o seu administrador e alguns guias, todos com muita boa vontade para nos mostrar as descobertas da região.
O certo é que tudo é muito fascinante, estar ali, na beira de um rio, no meio de um vale, e saber que há 65 milhões de anos atrás os dinossauros estiveram passeando por lá, e que não é fantasia, tudo foi real, nos dá uma vontade enorme de descermos das passarelas e escavar só para tentar descobrir mais um pouco de nossa história.
Pena que os governantes ainda não sentiram esse clima mágico do passado, na verdade, acho que os políticos de relevância no cenário nacional, não sabem nem da existência da região, quem dirá desse vale. Na verdade nossa história grita pelo reconhecimento do vale dos dinossauros como patrimônio histórico da humanidade e ainda que o projeto de preservação/manutenção e exploração seja imediato. (Foto:by Kátia Moreira - 2010)

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

LEMBRANÇAS DE CRIANÇA


Ontem ao deitar, fiquei relembrando minha infância e me embalei na nostalgia de finais de semanas fabulosos em Triunfo, mas que me trazem boas lembranças.
Sinto por não puder fazer meus filhos vivenciarem os bons momentos que tive aos 6 ou 7 anos de idade, quando passeava com meus pais e meu irmão, no "Sítio dos Macacos", em Triunfo (o nome era por conta da grande quantidade de macaquinhos que viviam na serra onde ficava o sítio).
Lá vivia meu tio-bisavô materno, "Tio Nequinho" e sua família. Era um sítio no topo de um despenhadeiro, onde do terreiro da casa se via todo o conjunto de serras e até o limite de Pernambuco e Paraíba. Eles tinham uma casa simples, rodeada de cercas feitas de pedras, muitas fruteiras e flores, e lá no terreiro (um grande calçadão) nos poucos dias de sol, "Tio Nequinho" colocava o café para secar para depois torrá-lo e moê-lo.
Triunfo, para quem não conhece é uma pequena cidade do interior de Pernambuco, que fica a 450km de Recife-PE, e está a 1.200m acima do nível do mar, sendo a região mais alta do estado (Pico do Papagaio). Hoje é uma cidade turística e compõe o "circuito do frio", roteiro de eventos do governo pernambucano, atraíndo inúmeros turistas pelas suas belezas naturais e pelo ecoturismo.
Bem, mas voltando aos meus devaneios de sonolência, me lembrei de como era bom enveredar pela mata fechada que compunha o sítio, e junto com minhas primas, brincar entre as árvores descobrindo a flora. Certa vez fiquei deslumbrada com a delícia da jabuticaba, e o quanto era engraçado aquela frutinha tão saborosa nascer grudada por toda árvore, eu nunca houvera experimentado fruta não exótica. Empanturrei-me de Jabuticaba e ainda levei um balde cheio delas para casa.
Ainda hoje, sinto o calor do fogão à lenha, da cozinha de "Tia Isaura", senhora pequenina que logo moça foi perseguida pelo Alemão Alzheimer. Mas, mesmo lutando contra este destemido e devastador inimigo, "Tia Isaura" sempre estava pronta para servir a quem chegasse em sua casa, pois sempre tinha um chazinho de ervas que nasciam ao redor de sua casa e aromatizavam o ambiente (camomila, erva-doce, hortelã, capim santo, etc), um cafezinho, um bolinho e seus deliciosos biscoitos cream cracker passados na manteiga (ainda sinto o cheiro dos biscoitos, no lanche da tarde).
Durante todo o dia, as crianças corriam de uma lado para o outro, em busca de brincadeiras, e vibrávamos quando algum adolescente nos contavam estórias de trancoso (terror), envolvendo homens, mulheres e crianças que haviam desaparecido nas matas ou nos cacimbões, pois lá haviam muitos destes, já que a água jorrava em muitas pedras, pois na região, ainda hoje, há grande quantidade de olhos d´águas. E isto tudo enchiam nossas mentes de euforia, medo e imaginação.
A noite era tudo mais tranquilo, principalmente porque a temperatura caia muito e todos ficavam ao redor da mesa, sentindo o calor do fogão que nunca parava de engolir a lenha. Recordo-me que certa vez, fiquei com tanto frio, que dormi enrolada com 4 cobertores de lã. Era tudo uma festa!
Hoje, aquelas crianças cresceram, perdemos o contato, meu tio-bisavô e sua esposa faleceram, suas netas e eu tomamos nossos rumos, longe daquele lugar fantasioso e cheio de boas recordações, e toda aquela alegria está apenas em nossas memórias. Fotos, são raras, acho que nem as tenho. Realmente tudo é apenas lembrança de momentos felizes.(Foto: by Kátia Moreira - 2000)