quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

LEMBRANÇAS DE CRIANÇA


Ontem ao deitar, fiquei relembrando minha infância e me embalei na nostalgia de finais de semanas fabulosos em Triunfo, mas que me trazem boas lembranças.
Sinto por não puder fazer meus filhos vivenciarem os bons momentos que tive aos 6 ou 7 anos de idade, quando passeava com meus pais e meu irmão, no "Sítio dos Macacos", em Triunfo (o nome era por conta da grande quantidade de macaquinhos que viviam na serra onde ficava o sítio).
Lá vivia meu tio-bisavô materno, "Tio Nequinho" e sua família. Era um sítio no topo de um despenhadeiro, onde do terreiro da casa se via todo o conjunto de serras e até o limite de Pernambuco e Paraíba. Eles tinham uma casa simples, rodeada de cercas feitas de pedras, muitas fruteiras e flores, e lá no terreiro (um grande calçadão) nos poucos dias de sol, "Tio Nequinho" colocava o café para secar para depois torrá-lo e moê-lo.
Triunfo, para quem não conhece é uma pequena cidade do interior de Pernambuco, que fica a 450km de Recife-PE, e está a 1.200m acima do nível do mar, sendo a região mais alta do estado (Pico do Papagaio). Hoje é uma cidade turística e compõe o "circuito do frio", roteiro de eventos do governo pernambucano, atraíndo inúmeros turistas pelas suas belezas naturais e pelo ecoturismo.
Bem, mas voltando aos meus devaneios de sonolência, me lembrei de como era bom enveredar pela mata fechada que compunha o sítio, e junto com minhas primas, brincar entre as árvores descobrindo a flora. Certa vez fiquei deslumbrada com a delícia da jabuticaba, e o quanto era engraçado aquela frutinha tão saborosa nascer grudada por toda árvore, eu nunca houvera experimentado fruta não exótica. Empanturrei-me de Jabuticaba e ainda levei um balde cheio delas para casa.
Ainda hoje, sinto o calor do fogão à lenha, da cozinha de "Tia Isaura", senhora pequenina que logo moça foi perseguida pelo Alemão Alzheimer. Mas, mesmo lutando contra este destemido e devastador inimigo, "Tia Isaura" sempre estava pronta para servir a quem chegasse em sua casa, pois sempre tinha um chazinho de ervas que nasciam ao redor de sua casa e aromatizavam o ambiente (camomila, erva-doce, hortelã, capim santo, etc), um cafezinho, um bolinho e seus deliciosos biscoitos cream cracker passados na manteiga (ainda sinto o cheiro dos biscoitos, no lanche da tarde).
Durante todo o dia, as crianças corriam de uma lado para o outro, em busca de brincadeiras, e vibrávamos quando algum adolescente nos contavam estórias de trancoso (terror), envolvendo homens, mulheres e crianças que haviam desaparecido nas matas ou nos cacimbões, pois lá haviam muitos destes, já que a água jorrava em muitas pedras, pois na região, ainda hoje, há grande quantidade de olhos d´águas. E isto tudo enchiam nossas mentes de euforia, medo e imaginação.
A noite era tudo mais tranquilo, principalmente porque a temperatura caia muito e todos ficavam ao redor da mesa, sentindo o calor do fogão que nunca parava de engolir a lenha. Recordo-me que certa vez, fiquei com tanto frio, que dormi enrolada com 4 cobertores de lã. Era tudo uma festa!
Hoje, aquelas crianças cresceram, perdemos o contato, meu tio-bisavô e sua esposa faleceram, suas netas e eu tomamos nossos rumos, longe daquele lugar fantasioso e cheio de boas recordações, e toda aquela alegria está apenas em nossas memórias. Fotos, são raras, acho que nem as tenho. Realmente tudo é apenas lembrança de momentos felizes.(Foto: by Kátia Moreira - 2000)

Um comentário:

  1. Apesar de não conhecer Triunfo, ouvi falar muito dessa cidade por meio de colegas que lá nasceram e que moravam em Recife, na Casa do Estudante de Pernambuco, onde também morei!! Com as propagandas feitas por seus conterrâneos, Triunfo se tornou um lugar que desejaria conhecer... Até hoje faltou oportunidade!! Ouvi falar muito de seu clima ameno, um dos seus maiores atrativos! Pois é, um dia passarei por lá!! Pedro Hélker

    ResponderExcluir