terça-feira, 9 de março de 2010

101 ANOS DE HISTÓRIA


Acredito que o maior desejo do homem é atingir a eternidade, e viver muitos anos, a exemplo dos profetas do antigo testamento (Abraão, Isaac, Maomé, David) que passaram em muito as centenas de anos.
Entretanto, o ser humano na busca do conhecimento e superação, é muito mais ousado, não quer só viver a eternidade, mas ter consigo a juventude. E nem sabem que as linhas do rosto traçadas pela velhice, são a expressão mais fiel de cada dia vivido. Estas rugas representam a historia de cada um, que foram escritas em suas faces, são portanto a perfeita externalização de todas as conquistas, derrotas, alegrias e tristezas que cada ser humano já viveu.
Imaginem então que glória passar dos 100 anos, imaginem que benção é poder estar lúcido ao passar dos 100 anos e ainda poder contar histórias de quase 100 anos atrás, com a paciência de um contador de historias.
Pois bem, eu tenho o prazer de conviver com alguém que recebeu esta benção de Deus, meu avô materno: João Casimiro, como é conhecido, na cidade que adotou como sua, Serra Talhada.
Seu João é homem forte do sertão paraibano, nasceu na pequena cidade com nome de capital, Montevideu, mas foi no sertão pernambucano que construiu sua família, fez amigos e ficou conhecido.
Homem de feições simples, pessoa de boa índole, trabalhador e calmo, este é o perfil mais fiel de vô João.
Nasceu e sempre viveu na roça, lutando contra os incontáveis períodos de seca que viu sua terra passar. Nunca sentou no chão para brincar com qualquer um de seus netos, mas sabia, de seu jeito agradá-los, seja dando uma voltinha à cavalo, ou uma moedinha para comprarem pipocas.
Me lembro, com muito carinho e saudades de meu avó nos poucos anos que pude conviver quase que diariamente com ele. Não esqueço das “voltinhas” à cavalo que ele fazia questão de dar com todos os seus netos presentes na hora de sua partida para o sítio. Era realmente dedicado, pois andava cerca de 400mts, da frente de sua casa até o pátio da antiga estação de trem, puxando o seu eterno cavalo branco de crina preta, com cada um de seus netos em cima.
Tive o privilegio de viver meus 7 primeiros anos próximo a ele e nunca esquecei as vezes que assisti atenta a ordenha das vacas, e ao final com seu jeito cuidadoso, nos oferecer um copo de leite para crescermos forte, como dizia. E até mesmo das vezes que com grande satisfação nos incentivava a tirar o leite, sozinhos.
Grande foi minha euforia quando pude dar a voltinha à cavalo, sozinha, sem que ele segurasse a corda do cavalo, mas com ele caminhando pacientemente do lado e com sua voz terna me dizendo os comando que deveria tomar para poder dominar o cavalo.
Também, me lembro muito bem dos dias de férias que passávamos no sítio Açude Velho, vendo-o trabalhar no pasto, cortando palma para dar ao rebanho, e zelando dos seus animais com grande dedicação, e ainda, nos levando ao açude para nos ensinar a pescar, pois mesmo sendo menina, ele nunca fez distinção entre eu e os meus primos, apenas nos tratava com o cuidado de um avô e nos ensinava sobre a vida na roça.
Pois bem, tenho certeza que todos nós, seus netos temos muitas lembranças boas de seu João, principalmente de suas histórias intermináveis, onde nos contava de suas andanças de vaqueiro, de seus parentes, e até de sua visão do destemido Rei do Cangaço, quando este passou pelo sítio de seu pai.
Hoje, nós estamos rendendo graças ao nosso Deus, por tantos anos, tantas histórias, tantos ensinamentos e o amor que nos foi transmitido, mesmo sem nunca ser falado literalmente, mas foi sentindo com todos os cuidados.
São 101 anos de história e todas elas estão traçadas em sua face rude, não tendo nenhuma palavra escrita, já que não teve o prazer de conhecer nenhuma letra, mas fez questão que todos os seus 8 filhos estudassem, e hoje, tem netos e bisnetos, bacharéis ou conhecedores da escola vida, tenho certeza que seu João Casimiro está no lucro, como gosta de repetir desde que fez 70 anos, e sente o amor e o orgulho que todos nós temos por ele. (Foto: by Kátia Moreira - 2009)

segunda-feira, 8 de março de 2010

MULHER É SER SUPERIOR


No dia internacional da mulher, nada mais do que fazer uma introspecção no que é ser mulher. Sendo assim eu cheguei a algumas conclusões, então resolvi dividi-las com todos, e assim tentar transmitir como é difícil ser mulher, mesmo que a beleza possa entorpecer a alma dos homens e até mesmo das próprias mulheres.
Pois bem, ser mulher é realmente difícil, não digo isto só pelo preconceito que muitas vezes enfrentamos, mas porque na verdade acredito que nós também o temos. Acho que até mesmo as feministas têm no fundo do coração um pouquinho de machismo, e explico: se não houvesse tal sentimento não haveríamos que falar em desigualdades, pois reinaria a igualdade do homem e mulher, daí não existiriam tais movimentos.
Ser mulher é difícil, pois todos esperam que nós sejamos impecáveis, puras, bondosas e incansáveis, mas isso não é nada fácil, pois, como os homens nós somos feitas de carne, sentimentos e desejos.
Recebemos a carga de ser a cabeça e o coração, de termos que ser doces e austeras, de sermos domáveis e impulsivas, de sermos frágeis e termos garra para superar os obstáculos, ser mulher é ser contraditório.
Ser mulher é chegar à noite, depois de um dia inteiro de trabalho e encarar uma jornada extra de dona de casa, mãe exemplar e esposa, enquanto o marido chega e senta em frente a TV pra assistir o jornal, exige silêncio, e os filhos querem sua atenção, e depois de tudo ainda tem que deixar tudo organizado no único local da casa em que podemos mandar: a cozinha.
É realmente muito difícil ser mulher, pois recebemos a incumbência de sermos MÃE, ação que é pura emoção e transcende o lógico, é mais que instinto é essência de vida, pois é inexplicável gerar, cuidar, ensinar e compreender que não somos dona daquele que concebemos, mas nós insistimos em cuidar na esperança de termos alguém que cuide de nós no futuro.
É viver entre regras que só existem porque somos mulheres, como por exemplo: não poder comer o que gostamos, porque engorda; não poder atirar-se nos braços do amado, porque é impróprio; não poder tomar a iniciativa quando se paquera alguém, porque quem rouba beijo é o homem, e muitas outras proibições ou tabus, que, quando quebrados, é porque não temos juízo ou somos assanhadas demais.
Ser mulher é viver milhões de emoções e transmiti-las só com um olhar, é sofrer e ter que rir para conquistar seu lugar, mesmo sentindo uma dor em seu coração. E, repito, é realmente difícil ser mulher, ser amante, amiga, esposa e companheira numa só conversa.
Como se vê, existem mil e uma justificativas para mostrar o quanto é difícil ser mulher, mas existem outras tantas para demonstrar como é gratificante ser mulher e, consequentemente: mãe, esposa, amiga, amante e companheira.
Enfim, apesar de todas as dificuldades, tudo isto é superado só em sabermos que somos o único ser que temos a inteligência e consciência de que somos a chave de toda a existência humana, pois sem uma MULHER o homem deixará de existir. E é, sem sombra de dúvidas, formidável poder gerar, poder completar o outro, poder romper preconceitos e poder chegar além do que esperam de nós.
E assim, sentir seus pensamentos, superar suas necessidades e ir além da dor, é uma dádiva para uma mulher e me desculpem as feministas, mas é muito bom ser paparicada e colocada num pedestal só porque somos mulheres, e que pensem os homens que somos frágeis, pois assim seremos superiores. (Foto: by Kátia Moreira - 2008)