
Já tem um tempão que estou para postar nosso diário de viagem a Capital Argentina, mas por falta de tempo só consegui fazer agora. Aqui conto dia-a-dia as experiências que eu e meu pai tivemos em Buenos Aires. Foi muito legal e espero que sirva de indicação para quem quer conhecer a cidade.
Saímos do Recife depois da meia-noite da
sexta-feira, dia 04 de fevereiro de 2012. Chegamos cedo em Guarulhos-SP e
seguimos para o portão de embarque internacional. Não é tão difícil, logo
achamos o tal portão, apesar de não haver uma clara instrução do
pessoal de solo da Gol (fica a dica para quem não conhece o aeroporto de Guarulhos, basta se guiar pelas placas).
Ao deixarmos o desembarque nacional, andamos pelo saguão
do aeroporto e fomos ao embarque internacional, onde, a princípio, ficamos em dúvida quanto ao
portão que indicaram (número 14), mas, na verdade, era o número 14C, na parte
inferior (Afinal, já diz minha mãe: "quem tem boca vai a Roma").
Ao identifica-lo fomos fazer um breve passeio na plataforma de embarque, para tomar
um lanche. Depois voltamos para parte inferior e esperamos até a chamada do voo
e para nossa surpresa, de forma ainda precária para os aeroportos modernos e
principalmente para embarque de voos internacionais fomos até a aeronave em um
ônibus de trânsito, que por sinal estava lotado, nossa sorte é que chegamos
logo e pegamos um acento.
Seguimos então, num avião da Varig para Curitiba
e depois para Assunção-Paraguai que, diga-se de passagem, parece-nos um
aeroporto muito precário e pequenino, bem parecido com os aeroportos de cidades do interior do Brasil, e somente no inicio da tarde chegamos até o aeroporto de Ezeíza, em Buenos Aires.
Ao desembarcarmos em Buenos Aires, passamos pela imigração,
em uma fila única, incluindo tanto os argentinos e os que provenientes dos países do
MERCOSUL. Sem problemas, seguimos para pegarmos nossas bagagens, e com
a inexperiência naquele país e com muita ansiedade, fizemos o câmbio em uma loja que existe ao
lado das esteiras, dentro área de desembarque. Meu pai estava ansioso para fazer o câmbio, mesmo tendo o conhecimento que os
melhores preços seriam no Banco da Nación Argentina, no saguão do
aeroporto, mas não tive como convence-lo, afinal esta seria a 4 viagem dele pra lá e a minha primeira (não dava pra discutir). Na oportunidade, solicitamos algumas informações para reconhecermos as notas falsas, tendo recebido uma verdadeira aula do funcionário da loja de câmbio (mas tudo em espanhol).
Ao sairmos do desembarque, nos dirigimos a Tienda de
Sr. Manuel (uma loja de serviços de taxi), afinal meu pai já havia utilizado o serviço outras vezes e achou muito confiável, inclusive
tinha sido indicado pela SENSU (instituição de intercâmbio educacional). Pelo transporte pagamos Ar$240,00, recebendo um cartão para desconto na volta, a qual deveria ser agendada um dia antes (Ar$140,00).
Assim, seguimos numa autoestrada para o
centro da cidade, cerca de 35 km, passando por 3 pedágios. Ao adentrar a cidade de Buenos Aires, fiquei tentando achar, em vão, semelhança com alguma
cidade que já havia visitado no Brasil, acho que esse sentimento de
identificação se passa com todos que saem de seu território.
Ao chegarmos no Apart Hotel – Livin'
Residence, fomos bem recebidos, por uma simpática moça chamada Julieta,
e com agilidade foi confirmada nossa reserva do Booking.com, tendo nos
entregado a chave do Apart, após o preenchimento da ficha de cadastro.
No quarto, constatamos que estava
igualzinho a propaganda do site de reservas, em seguida solicitamos informações
sobre o cofre e solicitamos a substituição do controle da TV, o que nos foi
realizado no dia seguinte, pois não havia outro de reserva.
Descansamos um pouco e após um bom banho,
para descarregar as 12h de viagem, saímos para encontrar o supermercado
indicado pela atendente do Apart Hotel, seguindo na própria rua do hotel (Calle Viamonte),
cerca de 3 quadras no sentido da Av. 9 de Julho, onde compramos algumas
guloseimas e água mineral, no supermercado Cotto, que muito me agradou,
pois possui produtos de qualidade, marcas até conhecidas por nós brasileiros, só que com nome em
espanhol, e após pagarmos cerca de Ar$156,00, voltamos ao Apart, onde fizemos
um café, e logo fomos dormir.
No domingo, acordamos e fomos dar um
passeio pela Av. Callao e Av. Corrientes, para que eu pudesse
reconhecer as vizinhança do Apart Hotel, já que papai conhecia bem essa
avenida, afinal durante suas viagens de estudo esse era seu único percurso
(Hotel Bauen-UMSA).
Na Av. Corrientes seguimos até a Av. 9
de Julho, e voltamos para almoçar num restaurante chamado Las Cañas,
que fica no PasseoPlaza. Fiquei realmente surpresa com a quantidade de
carne para duas pessoas, assim entendi os comentários de papai a respeito das
carnes servidas aqui, mas por sorte pedi que nos fosse preparada a la uruguaya,
então veio fina e bem assada, que por sinal estava uma delícia.
Quanto ao restaurante, me pareceu bastante
acolhedor, apesar de ter poucas pessoas (acredito porque estávamos no dia de domingo, onde todo o comércio é fechado e ele fica dentro da zona comercial ). Lá fomos bem servidos e bem
recepcionados pelo garçom Emanuel, que a princípio achou que eramos argentinos,
e somente quando eu pedi explicações sobre cardápio e disse que era brasileira,
é que se desculpou e nos ofereceu a carta em português, nos servindo muito bem,
fazendo merecer sua gorjeta, principalmente pelo elogio ao meu sotaque espanhol dizendo que eu o havia confundido. Pelo almoço pagamos Ar$208,00, porque além do
prato, pedimos uma guarnição de arroz, afinal papai não queria comer carne somente com papas. E vale deixar registrado que em
restaurantes, além da comida e bebida, também pagamos o que chamam de “servicio
de mesa”, ou seja as toalhas e guardanapos. A gorjeta nunca é incorporada a conta, nos deixando livre para pagarmos ou não.
Depois do almoço, saímos pela Av. Corrientes
no sentido da Calle Florida, e acabamos identificando o Ponto inicial do Buenos
Aires Bus (o famoso ônibus amarelo de tur), resolvendo pegar o passeio naquele mesmo dia, pois havíamos
planejado em fazê-lo na segunda-feira a tarde. Então, partimos, às 15h20,
seguindo por todos os pontos turísticos, em um ônibus amarelo de andar, sem
teto com tradução em todas as línguas.
O passeio foi muito prazeroso, e nos deu
uma noção geral dos lugares importantes da cidade de Buenos Aires. Como havia
lido a respeito, ficou confirmado que a tradução em algumas partes mais parecia
um portunhol mal falado do que português, mas na verdade eu particularmente
ouvi quase todo em espanhol, ainda mais porque faziam alguns comentários
extras.
A primeira parada foi na Plaza de Mayo,
na frente do Calbido, onde tivemos uma breve explicação sobre o mesmo e
em seguida sobre a Casa del Governo (Casa Rosada), após arrodear
a praça, em sequencia seguimos na Av. Rivadávia para o Congresso Nacional e
depois para a parte de San Telmo e sem seguida o bairro de Boca
e o Caminito, onde no primeiro fiquei impressionada com as situações
lamentáveis e degradantes das casinhas feitas de colunas de madeiras e paredes
de chapa de ferro, as quais em alguns lugares, como no Caminito estão
pintadas com corres vibrantes, ilustrando as fotos que vemos do Bairro de la
boca. Mas vale registrar que estas são minoria, e na verdade a maioria estão
feias e enferrujadas. Realmente trata-se de um bairro pobre.
Novamente confirmamos o comentário sobre a
parada de número 5, entre o Bairro de La Boca e Caminito,
no Bar “El Estaño 1880', no meio do nada, com a desculpa de ser
um dos bares mais antigos do bairro. Já o Caminito, parece ser mais alegre, mas
também vemos pobreza, apesar dos palcos armados para apresentações de atrações
artísticas, na programação do verão de 2012.
Em contraste, seguimos para Puerto Madero.
Que é o mais novo bairro da cidade, sendo um lugar onde se erguem imensos
prédios empresariais e outros tantos residencias, sendo de alto nível, para um
público eminentemente afortunados. Lá também podemos encontrar o Cassino
flutuante e até o terminal fluvial.
Em Sequencia, seguimos pelo centro da
cidade, passando cruzando a Av. 9 de julho, na altura da Plaza de San Martin,
saindo na Av. Córdoba, onde visualizamos o inicio da Calle Florida e
Galeria Pacífico, a mais famosa da cidade, inclusive, comparada da Galeria Lafaet,
em Paris.
E assim fomos seguindo pela praças principais no
sentido de Palermo, passando por vários pontos, como a Faculdade de Direito da
Argentina-UBA, Floralis Genérica, MALBA, Bairro de Recoleta, Hipodromo,
Campo Argentino de Polo, Rosedal, Jardim Japonês, Jardim Zoológico, Planetário,
até chegarmos ao Bairro Chino, onde passamos pelo Museu de arte espanhol
Enrique Larreta e a Igreja da Imaculada Concepção – La Redonda e por fim
o Teatro Collón, onde descemos e voltamos para nosso Apart.
Realmente o passeio é excelente, onde
visualizamos todos os pontos que merecem uma visita mais detalhada. As praças
são belíssimas, o que vale registrar a quantidade de praças é imensa, onde
termina uma, começa a outra e assim se seguem nas avenidas principais, que por
sinal são super largas, existem lugares que possuem 8 pistas em um só sentido.
Na segunda-feira, logo ao levantarmos fomos
a Universidade Del Muséo Argentino, para entrega do projeto de
papai, o que fizemos com sucesso. E em seguida, almoçamos no restaurante Farandula,
do mesmo grupo do Las Cañas, onde também fomos bem servidos e
mais uma vez me surpreendi pelo prato, pagamos cerca de Ar$90,00 e voltamos
para Calle Florida, seguindo pela Av. Corrientes,
e ao final por volta das 18h tomamos um taxi (Ar$ 17,00) até o Apart.
Já na terça-feira, saímos ao redor do
Apart, e conhecemos o Palácio de las Aguas Corrientes, que fica em
uma quadra toda entre a Av. Córdoba e Viamonte, sendo uma suntuosa
construção do final do século XIX, mas precisamente no ano de 1887, que foi
feito para abrigar um grade reservatório de água, com cerca de 72.000 m³ para
abastecimento da cidade. Esse é sem dúvida o prédio mais bonito da cidade, na minha opinião, não só pela sua cor rosada e dourada, como por toda a composição das
esculturas, suas sacadas e seus minuciosos apliques de cerâmicas e ladrilhos.
Depois seguimos andando pela Av. Callao
no sentido da Av. Santa Fé, onde almoçamos no restaurante La Farola,
comida muito bem preparada, nos tendo sido nos servido com qualidade e gastamos
cerca de Ar$127,00. Depois atravessamos a Av. Santa Fé e entramos na livraria El
Ateneo, onde ficamos encantados com a beleza da construção, já que foi
construído para um teatro, em seguida funcionou um cinema e atualmente é uma
livraria, sendo classificada como uma das mais belas do mundo, título que faz jus. Depois do passeio cultural voltamos
para o Apart, e jantamos na padaria La Continental, na Av. Callao, depois
da Av. Corrientes, uma espécie de delicatesen, mas não sendo tão
atrativas como as nossas. Lá comemos empanadas com coca-cola e pagamos
Ar$50,00.
Na quarta-feira, fomos novamente a
Universidade Del Muséo, e almoçamos num restaurante na Av. Callao,
chamado La Academia, vizinho ao Hotel Bauen, infelizmente não fomos bem
servidos, apesar da boa comida, gastamos cerca de R$70,00. Depois pegamos um
taxi e fomos direto para o Cemitério de Recoleta, quase uma linha reta pela Av.
Callao, pagamos Ar$19,00 e olha que foi longe. Lá fizemos uma
exploração na ultima morada dos nobres argentinos, porque como está em um de
nossos guias: “Si la historia de Buenos Aires vive em sus calle, la historia
del país descansa entre las muralla del cemiterio mas antiguo y aristocrático
de la ciudad: Cemitéiro de la Recoleta.”
Realmente, as ruas do cemitério são cheias
de obras de artes e mausóleos monumentais, contudo o ficamos um pouco
decepcionados quando nos deparamos com o mausoléo da Família Duarte, onde está
os restos mortais de Eva Duarte de Perón, é tão pequeno, sem esculturas, apenas uma fachada de granito
preto, acredito que a simplicidade também foi uma forma do governo na época não torna-la um
mito, o que foi frustado, porque na verdade seu nome é mais venerado do que maioria dos mais poderoso políticos da República Argentina.
Em sequência, seguimos passando pela Igreja
de N. S. do Pilar e pelo Centro Cultural da Recoleta, rumo a Faculdade de
Direito de Buenos Aires e Floralis Genérica (Foto acima de Kátia Rejane - 2012), onde tomamos um taxi para
conhecermos o Museu de Evita, gastamos cerca de Ar$21,00, onde também ficamos
maravilhados com seus vestidos e parte de seu arcervo pessoal, onde aprendemos
um pouco mais sobre esse ícone da História Argentina e precussora dos direitos
sociais da Argentina, Eva Duarte Perón, foi realmente uma grande mulher,
inteligentíssima e lutadora, em todos os sentidos, desde sua origem bastarda, sua profissão (modelo e atriz de teatro),
quando por fim decidiu lutar também pelos argentinos, mesmo antes de casar-se com
Juan Domigo Perón, presidente argentino na época. Tendo vivido lutando e superando-se até travar sua ultima batalha contra o
câncer de útero que tomou-a em metastese. Mas não matando Evita, como docemente
ficou conhecida a protetora do povo menos favorecido da Argentina. E é por isso que ela
vive entre eles até hoje, e se orgulham em propagar sua memória, com monumentos, museus,
espaços culturais, peças teatrais e institutos.
Terminamos a tarde, relaxando no belíssimo
Jardim Japonês, espaço doado pela Associação Japonesa da Argentina, que
transmite paz de espirito para grande cidade. De lá pagamos cerca de Ar$22,00
até a Av. Córdoba com Av. Callao, esquina do Apart, onde passamos na Subway,
que fica na Av. Córdoba, por trás do Apart e levamos dois sanduiches do dia por
Ar$39,00, para o jantar.
Na quinta-feira, fomos procurar em vão a agência do Banco do
Brasil S/A, poque não lembrávamos que o Banco do Brasil havia comprado 80%
do Banco da Patagônia e agora estava usando a marca do banco pátrio, já que esse era mais conhecido e possuía maior número de agências por todo o território. Após efetuarmos o
saque necessário, fomos as compras definitivamente na Calle Florida, mas antes
almoçamos num café chamando de Piacere, onde gastamos certos Ars$88,80,
o que após as compras, fomos a Plaza de Mayo, conhecendo a Catedral
Metropolitana, e depois pegamos um taxi até a Av. Callao com Calle Viamonte,
pagado cerca de Ar$17,00. A anoitecer, jantamos na Subway, gastando Ar$39,00.
Em nosso penúltimo dia em Buenos Aires,
passemos novamente pelo centro, onde conhecemos o Palácio da Justiça e o Teatro
Collón, contudo não o visitamos por dentro, pois achamos muito cara a entrada,
Ar$110,00, inclusive fazendo distinção entre extrangeiros e argentinos. Antes
das visitas, almoçamos novamente na Farandula, onde gastamos ao todo
Ar$100,00 e compramos os últimos regalos. Voltamos andando para o Apart e
ao anoitecer fomos novamente a Subway, que fica a menos de uma quadra de onde
estamos hospedados, onde gastamos Ar$47,00.
Sábado, última dia em terra portenha, após
arrumar a mala, vamos fazer check out antes das 11h, e tentar comprar os tão
famosos Alfaroles, que mais parecem pão de mel, com recheio de doce de
leite, coberto com chocolate ou glacê de açúcar. Almoçamos e fomos irmos ao aeroporto
por volta das 15h da tarde. Detalhe, papai perdeu o cartão de desconto para a
volta com a companhia de taxi que viemos, então pegamos um taxi indicado pelo Hotel.
Em resumo, Buenos Aires é lindo, e faz jus
ao título da mais européia das cidades das Américas, como era conhecida
antigamente, na década de 30: a Paris das Americas, contudo, nos soa exacerbado o
nacionalismo radical do povo portenho, inclusive nos deixando a acreditar que
existe uma necessidade insaciável de auto-afirmação perante os demais países da
América, principalmente do Sul. Enfim, o que podemos fazer se somos o maior e o
mais importante, não há como negar o resplendor do nosso querido Brasil, que
infelizmente leva ao despeito dos que não tem como se conformar.
Por fim, é bom viajar, mas melhor ainda é
voltar para casa. Estou morrendo de saudades de minhas pequenas, Mila e Cici,
sem falar do meu grande companheiro Cristiano e de minha mãe que ficou cuidando das
minhas meninas...... e vamos confessar da minha casa também, pois nada melhor
do está em sua terra, com sua gente e dormir em sua cama.
